Maio, mês...
Comments:

Citações, Música, Fotografia, Desabafos, Notícias & Opiniões de uma Lusitana em Terras da Germânia





.


Mesmo sem o novo cd, os “The Cure” já se lançaram à estrada. Foi no domingo passado em Oberhausen, num concerto de 3 horas, a roçar a melancolia que, do alto dos seus 49 anos, Robert Smith na sua figura inconfundível, vestido de preto, cabelos desgrenhados, olhos pintados de negro e lábios encarnados (com mais uns quilitos em cima é certo), soube mostrar (e muito bem) como conseguiu manter a lealdade do seu público até aos dias de hoje, a confirmar logo pela lotação esgotada da Oberhausener Arena.
Foram tocados quase todos os êxitos, tendo como pontos altos, “Inbetween Days”, “Just like heaven” e “Why can’t I be you” que criaram um sentimento de nostalgia entre os apreciadores de Indie-Rock onde eu me incluo. Com “Friday I’m in love” passou de nostalgia a ambiente de festa, houve ainda tempo para tocar algumas coisas da sua “dark wave” tal como “A hundred Years” onde foram projectadas imagens dos anos 30.
Do novo cd mt pouco deram a conhecer, mas pelo que ouvi, nada de espectacular, e pela reacção do público, penso que não será nenhum “must” já que durante essa altura muito do pessoal optou por sair para fumar ou ir buscar uma bebida...pois...os Cure fazem parte da magia dos 80/90’s e será melhor se esse encantamento não for quebrado...
Durante todo o concerto Robert Smith não falou com o público, um simples “o.k.” foi a única coisa que se ouviu da sua boca.
Resumindo; os Cure foram uma das minhas bandas de eleição que marcaram uma fase da minha vida, as expectativas para este concerto eram altas, não foram superadas mas valeu pelas boas lembranças avivadas na memória...
Boa Páscoa [por aqui com muita neve] e, sejam felizes :)
.

Sou dadora de sangue desde os vinte anos e, há já algum tempo que tencionava tornar-me dadora de medula óssea, contudo a decisão foi sendo adiada em prol de coisas que afinal não chegam a ter o mínimo de importância ao pé do factor “Vida”, a maior de todas as prioridades.
Aqui na Alemanha, a cada 45 minutos, há alguém a quem lhe é diagnosticada Leucemia, e mesmo sendo difícil de imaginar, acredito que esse momento seja como o desabar do mundo sobre essa pessoa.
Quando soube que um amigo meu tinha Leucemia e, que depois de afastadas as hipóteses de ter um dador compatível entre os familiares, esperava encontrar um dador entre os Bancos de Medula Óssea europeus uma vez que existe um intercâmbio entre os mesmos, decidi que estava mais do que na hora para avançar.
Ser dador é extremamente simples, numa primeira fase, tudo se resume à informação que nos é dada por um profissional técnico, sobre a doença, recolha e fase pós-recolha. Depois de toda a informação e respostas às perguntas feitas, caso o voluntário decida seguir com o registo para dador, é colhida uma pequena amostra de saliva e sangue. E, só em caso de terem alguém em lista de espera com as mesmas características sanguíneas do dador, é que procedem com outros testes e à recolha de medula. Não há muita diferença entre a recolha de medula e de sangue, apenas demora um bocadinho mais e poderá eventualmente haver algum desconforto nos dias seguintes, nada de mais para quem faz a doação, mas toda a diferença para quem recebe e que volta a ter uma segunda oportunidade de ver concretizar os seus sonhos e projectos de VIDA.
Parece tudo muito simples e fácil, não fosse o problema da compatibilidade entre as medulas do doador e do receptor. O problema da compatibilidade pode ser comparada ao jogo do totoloto, os números estão todos lá, mas nem todos tem a chance de acertar na chave, do mesmo modo que é extremamente difícil encontrar a combinação exacta das características sanguíneas para determinado paciente. A chance de encontrar uma medula compatível pode chegar a UMA em CEM MIL.
Infelizmente não consegui ajudar o meu amigo que vai lutando e vivendo um dia de cada vez, sempre na esperança que em breve irá aparecer um doador compatível. A mim, resta-me ajudá-lo com o meu apoio nessa luta contra o tempo.
De qualquer modo, ficou o meu registo no DKMS, esperando um dia ser útil a alguém.





Depois da Motorola no norte do país e da Siemens também aqui na Westfália, é agora a vez da Nokia decidir de um momento para outro, fechar portas e partir rumo à Roménia dentro dos próximos meses, colocando no desemprego cerca de 2300 funcionários.
Bochum, cidade situada cerca de 60kms de distância de Münster, foi na passada terça-feira palco de uma das maiores manifestações de protesto dos últimos tempos e que reuniu à volta de 15 000 manifestantes, tendo contado com o apoio não só dos trabalhadores da própria empresa, que inconformados com a situação tinham já aderido à greve em massa, como também de políticos do governo regional, sindicatos, igreja e, trabalhadores da Opel, Ford e Mercedes.
A decisão do grupo em encerrar a fabrica levou já a que, um ministro e o lider do SPD, Peter Struck entregassem os seus Nokias, apelando ao povo para que façam boicote a todos os produtos do gigante Finlandês.
A resposta não se fez esperar; a Camâra Municipal de Bonna anunciou ontem que 400 telemoveis da marca, pertencentes aos seus funcionários, serão devolvidos nos próximos dias.
A Alemanha de norte a sul e todas as facções políticas estão unidas neste boicote, esperando-se que mais serviços públicos sigam o exemplo da CMBonna. Seehofer da CDU e ministro do consumo pediu já um estudo sobre como abolir os telemóveis finlandeses em todo o Ministério pelas vias legais.
Depois de receber subsídios e obter lucros a Nokia prepara-se agora para rumar a outro país voltando a receber mais subsídios, contudo o Estado do Norte-Westfalia onde se encontra a fabrica, está já a tratar de recuperar legalmente os 20 milhões de euros de subsídios que a Nokia recebeu deste governo regional nos últimos 10 anos.
A luta promete não parar por aqui...
.


